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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Como é ter um anjo do lado

Há um tempo longe daqui, mas não de meus anjos. Eles estão no meu dia-a-dia. Na verdade, estão no dia-a-dia de todos, mas muita gente não os percebe...

Não tenho pretensão de ser anjo de ninguém, mas me esforço para ser uma pessoa de bem, tentar ser harmônica onde estou, se possível invisível. Sim, invisível, como as almas e espíritos, para não ser percebida por quem não é sensível o suficiente. Mas, como disse, não tenho pretensão de ser anjo, e não sou, com isso as pessoas me percebem. E como se incomodam com quem está quieto, quem quer apenas fazer o seu e, eventualmente, ajudar o próximo!
Há pessoas que fazem questão em mexer com quem está quieto, de perturbar a paz de quem não está fazendo nada, de ser mesquinha a ponto de agredir quem lhe ajudou ou estendeu a mão! Também tenho convivido com pessoas assim. Contudo a vida é como uma folha seca redemoinho na margem de um rio: às vezes prende a folha, que gira e revira desesperadamente até que num determinado momento, o fluxo normal a leva rio abaixo... A vida, por mais que insistam, ela segue! Claro que, muitas vezes, surge um graveto na mão de um menino ou um passarinho que bica a folha e provoca uma pequena revolução necessária para mudar tudo. É o papel dos anjos...

Há pouco mais de um ano, um anjo surgiu na minha vida. Não o conheço pessoalmente, mas já convivo há anos com suas postagens na área de patrimônio, especificamente ferroviário. Eu o chamo de "Meu Anjo", pois de fato é.

Pois bem, Meu Anjo não mora perto, na verdade, bem distante, mas tem sido a companhia mais próxima dos últimos tempos. E como descrever um anjo? Sábio, tranquilo e forte, com certo grau de premonição, empatia ou, ao menos, sensibilidade para dizer a palavra certa na hora certa. E como faz bem ter um anjo do lado (metaforicamente falando, claro)!

"...você parece comigo, nenhum senhor lhe acompanha. Você também se dá um beijo dá abrigo. Flor nas janelas da casa, olho no seu inimigo, você também se dá um beijo dá abrigo, se dá um riso dá um tiro."
(Tavinho Moura/Márcio Borges)





quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Sorriso do anjo

Morando em outra cidade, conhecendo poucas pessoas, é natural (ao menos eu acho) que eu dedique mais tempo ao ambiente de trabalho que às paredes da casa recém alugada. Não existem muitas coisas para fazer na casa, nem muita bagunça para arrumar. Às vezes eu deixo a louça na pia, de um dia para outro ou na manhã para ter o que fazer depois: estratégias...
No trabalho tem uma copa, e, na copa, uma copeira. Dona Fátima é o nome dela. Sempre tem um sorriso, um café e uma noção de realidade que comparo à caramelo quente: doce e que não passa imune por você. Ela observa tudo, fala o necessário, mas sempre de forma incisiva; tem mãos mágicas para acarinhar com uma tapioca, um cuscuz ou mesmo um bolo de queijo (quando a coisa está ruim, não falta o café e o chá, normalmente de canela). Ela não tem obrigação de fazer isso, nem de nos receber como se chegássemos à sala de uma tia atenciosa, mas sabe que muitos professores não tem família na cidade, passam o dia na universidade, se estressam em sala e... lá vem ela com suas doçuras!
"Não vá antes de uma fatia de bolo!"
Num mundo em que as pessoas fazem, quando muito, suas obrigações, Dona Fátima, em sua simplicidade, entende que todos precisamos de relações mais humanas. E ela se preocupa com cada problema (não acredito que seja só com os meus, embora sua atenção seja especial para mim).
"E aí, mulher, já conseguiu a sua casa? Ah, que bom..." 
"Esse é problemático, não ajuda na coleta da copa... mas não posso deixar ele... ele é muito sozinho..."
"Mulher, não dê muita atenção, que esse aí é abusado!"
"Professor, volte daqui a um pouquinho que já vou fazer um cuscuz que sei que o senhor gosta!"
"E como está aquela criança bonita, filha daquela mulher?"
E assim vai... Em pequenas doses, temperando nossos dias. Nos alimentando de ansiedade por vir trabalhar e saber qual delícia vamos encontrar...
Interessante que ela me chama de "mulher", é o jeito dela simples, que nos reduz à condição mínima. Aqui, no território da Dona Fátima, as pessoas são o que são, e eu não sou nada além de uma mulher que ela trata com quitutes e carinho. Para mim, Dona Fátima é um anjo que ensina simplicidade todo dia.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Anjos não são fofos

Estou em um outro momento da vida: outra cidade, outro emprego, outra rede de amigos. Devo muito o fato de estar aqui pela intervenção angelical de uma pessoa que não conhecia fisicamente, apenas como amiga de Twitter. Esse é o principal anjo, mas, na verdade, foi uma legião que me conduziu até aqui.
Posso dizer que o primeiro dos anjos eu não saiba quem seja: alguém achou por bem indicar meu nome para uma mesa redonda de um encontro de estudantes. Cheguei cedo para o evento, e nesse lugar, um rapaz falava enfáticamente sobre a situação do quadro de professores da UFRR. Comecei a prestar atenção à conversa de uma forma tão deselegante que fui convidada a participar da roda. Chegado o momento da mesa, dividi-a com uma amiga de longa data, que comentou o fato de já conhecer a situação docente e ter notícias de que abriria em breve o concurso. Dessa mesma amiga, recebo um e-mail, reencaminhando o link do edital escrito se joga.
Até agora, vocês percebem, os anjos não são o doce de candura que se costuma acreditar!
Me inscrevo e entro em contato com aquela amiga citada, pois afinal não conhecia mais ninguém que pudesse indicar um hotel em Boa Vista para que eu fizesse a prova, e ela disse, enfaticamente que eu iria para a casa dela. Eis quando surge o serafim da história! Ela, além de me levar para a própria casa, se preocupa, leva para passear, busca no trabalho... Mas como ela própria se define (meio bruxa e meio fada) é uma pessoa apaixonada, como fogo típico da mais alta ordem de seres angelicais, dura, decidida, guerreira, que vive no extremo.

Como não acreditar que estou no lugar certo?

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Em todos os cantos

Não pego esse ônibus, depois que o prefeito resolveu fazer uma obra atabalhoada que me fez perder um concurso importante. Não há esforço ou planejamento que resista ao mal. Acho que essa lição trago a muito tempo: lutar sempre contra esse inimigo ruim que sempre quer me derrubar (às vezes fisicamente). Contudo aprendi a reconhecer, alguns dirão que é uma certa intuição, quando e quem me prejudica, e estou cada vez mais aprendendo a isolar essas negatividades. Mas aquele senhor me chamou atenção: aspecto oriental, vários sinais irregulares no rosto. Não havia motivo, mas larguei toda minha angústia de dias tensos e brigas em família e observei ele, que atravessava a roleta. Com tantos lugares no ônibus, ele senta ao meu lado.
- A senhora é católica?
- Sou.
Ele então puxa um panfleto de uma evento, encontro de mulheres dos padres barnabitas e convida a participar. Foi o mote para uma longa conversa sobre nossas vivências católicas.
Eu encontrei minha definição há pouco tempo: sou Católica Preguiçosa Apostólica Romana. Não acho que estar dentro de uma igreja, necessariamente todo domingo ou fazendo o que seja para a paróquia me engrandeça o espírito; conheço várias pessoas que não saem delas e não têm postura cristã, católica ou mesmo ética. Prefiro trazer a minha igreja em mim, todos os cantos, em vez de ter um comportamento quase supersticioso de que me basta ir à missa, confessar e está tudo resolvido! Não entendo assim ser católica, pra mim, a nossa fé a gente carrega no dia a dia, na postura em relação ao próximo, seja qual for o grau de proximidade! Roupa de domingo é uma expressão muito estranha pra mim: eu sou o que sou o tempo todo, não apenas no domingo. Confesso que a minha preguiça a alguns ritos me dá trabalho.
Eu gosto de lutar pelo que acredito, eu gosto de observar o mundo e as pessoas, ver o melhor (ou a potencialidade) de cada um, gosto de ler e estudar, o exemplo de vida dos santos me alimenta a alma.
Tenho vários padroeiros, que foram surgindo para me abençoar na vida. Anas estão sempre surgindo em momentos inesperados - e percebi isso há pouco tempo, outra postagem falo delas - como avós, discretas, a dar o toque preciso na orientação de caminhos a seguir. São Tomé, padroeiro dos arquitetos, é outro exemplo.
E assim foi seguindo em temas a conversa com aquele senhor, ele também dando sua perspectiva de vivência católica, muito semelhante, através de outros exemplos.

Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre vós (Mt 18:20)

De repente percebo que algumas pessoas estavam atentas à nossa conversa. "Eu não pego esse ônibus", disse. "Nem eu", respondeu e continuou "mas temos que estar sensíveis ao que nos conduz". E nesse ponto da longa conversa (que eu desconfio que fez com que ele perdesse o ponto em que iria saltar), percebo que toda minha tensão por problemas vários na família tinha sumido. Ele fez menção de saltar, mas não fez, e eu desci. O sino da Sé tocou.